Tuesday, May 13th, 2008...9:47 pm
No ritmo do funk*
Kid Loureiro era um cara malandro. Lutava jiu-jitsu e comia dois saca-rolhas com almondegas pela manhã. Era mau. Mau demais. Péssimo.
Com seus óculos escuros, saia de camiseta regata com sua estampa favorita: “Eu sou pit, eu sou bull”. Mas, o que poucos sabiam é que Kid sofria de hemorróidas e nunca fora matriculado em qualquer academia de artes marciais. KL gostava de zombar dos colegas mais fracos. Passava a mão na bunda das priminhas; mijava e não dava descarga. Era mau. Mau como um pica-pau.
Ao lados dos amigos mais fortes, contava histórias e mais histórias; feitos fantásticos. Era o mais rico, o mais pica-doce, o mais mau. Sim, mais mau.
O coitado conheceu o lado negro da vida numa linda tarde de sábado. Caminhando pela Praça Mauá, precisava trocar uma cueca vinho gentilmente oferecida por sua cozinheira. Passando por um camelô que vendia CDs falsificados, se interessou de imediato pelo disco “Melados do funk - chureba maldita 2″. Por apenas R$ 4,40, era de fato uma pechincha. Mal sabia que o barato lhe custaria caro.
Gilvanildo, ex-presidiário e agora ambulante de primeira linha, viu em KL o cliente perfeito. Venderia o CD que lhe custara R$ 0,50 pelos tais R$ 4,40 e ainda ganharia o que tinha por hobby. Os dois conversaram para chegar a um preço justo. Gilvan sairia lucrando de qualquer forma e Kid se sentiu o negociador mais maquiavélico do mundo por adquirir a relíquia por R$ 3,80, economizando louváveis R$ 0,60.
Fechado o acordo, o simpatico Gilvan pediu que KL fosse até a sua Kombi para buscar o mercadoria, uma vez que ele havia vendido todos de seu estoque. Feliz, o malandro o acompanhou. Com a genialidade de um Spielberg, o ex-hóspede de Bangu 1 pediu para que o garoto de familia, por ser mais forte, abrisse uma caixa mofada localizada ao fundo do automovel. Foi o suficiente para que uma bicha de 2 metros de altura com a camisa da Ponte Preta surgisse de trás do banco. Gilvan, às gargalhadas, berrava: “Isso vai te custar uma pechincha, filhas das puta! Isso vai sair baratinho”!
Ao som do funk “Mamãe eu sou fofinha”, Kid Loureiro se tornou Kid Loura.
* texto de 2003.
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